Tokenização de ativos biológicos: embriões e materiais genéticos

Tokenização de ativos biológicos: embriões e materiais genéticos
Imagem: Canva

Em 2026, foi realizado o registro do primeiro embrião da raça Wagyu Kuroge do Brasil em uma rede pública internacional de blockchain. Sendo assim, inaugurou-se, no país, um novo modelo de rastreabilidade, transparência e valorização de ativos genéticos no setor pecuário. Na tokenização de ativos biológicos como embriões e materiais genéticos, a blockchain funciona como um livro de registros digitais, público e imutável, permitindo que as informações associadas ao ativo sejam verificadas de forma segura e permanente.

Na prática, o material genético passa a possuir uma identidade digital auditável, protegida contra alterações e acessível para validação em qualquer lugar do mundo. Portanto, a estruturação de ativos genéticos dentro de uma arquitetura digital prepara a produção para circular em ambientes internacionais de negociação.

O registro inédito no Brasil foi feito na rede Polygon, pela empresa AGT Pecuária, sediada em Roraima. Embora a empresa responsável pelo projeto seja de Roraima, o embrião foi produzido em laboratório no Rio Grande do Sul, em uma central especializada em biotecnologia da reprodução bovina, sob certificação técnica.

O setor pecuário já opera com certificados laboratoriais, registros genealógicos e documentação técnica consolidada. No entanto, à medida que o valor econômico dos ativos aumenta e as transações se tornam mais sofisticadas, cresce também a necessidade de ampliar a segurança dessas informações.

Aplicação em outros setores 

A integração entre genética e infraestrutura digital não é exclusiva do setor pecuário. Em outras áreas da biotecnologia, iniciativas utilizam blockchain para rastrear e monitorar material genético ao longo da cadeia de custódia, incluindo embriões, DNA e outros biospecimens (sangue, tecidos, urina, saliva ou células ). Em todos os casos, a blockchain passa a atuar como instrumento de validação, ampliando transparência e reduzindo riscos nas negociações ou colaborações, sejam elas de natureza comercial ou científica).

Já mostramos aqui no Observatório o projeto Biobank, um serviço para uso de dados das espécies amazônicas com pagamento em criptomoeda. Produtores da região poderão coletar DNA de espécies locais e colocar em um banco de dados. Empresas especializadas vão trabalhar no tratamento desse DNA e disponibilizar para uma consulta remunerada por outros produtores ou cientistas.

Esses exemplos indicam uma mudança estrutural: ativos biológicos passam a depender cada vez mais de sistemas confiáveis de informação e registro.

Fonte: Agrotoc e Do sal ao Solo.