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Os postes das cidades estão deixando de apenas iluminar. Aos poucos, viram pontos de coleta de dados urbanos, tensão da rede elétrica, vigilância, localização e até emissão de CO2. Mas há um problema de fundo. Esses dados ficam em bases centralizadas, vulneráveis a manipulação. Quando embasam o faturamento de concessionárias ou acordos de nível de serviço, exigem rigor de auditoria. Para resolver isso, o Núcleo de Pesquisaem Blockchain e Tecnologias Afins (UnBChain), da Universidade de Brasília, desenvolveu um poste inteligente com blockchain que registra sua telemetria de forma auditável.
A base da solução é uma arquitetura chamada Hermes IoT. Trata-se de um middleware criptográfico que conecta os sensores do poste à rede Cardano. A ideia central separa duas camadas, onde o dado mora e onde o sistema ancora a prova do dado.
Como funciona o poste inteligente com blockchain?
Primeiro, o sistema recebe a telemetria do poste e guarda os dados brutos fora da blockchain (off-chain), o que preserva a privacidade e reduz custos. Depois, cada leitura passa por uma função hash, que gera uma impressão digital única. Em seguida, o middleware consolida milhares dessas leituras em uma árvore de Merkle. Por fim, o sistema ancora apenas a “raiz” dessa árvore na Cardano, de forma imutável. Dessa forma, dá para provar matematicamente que ninguém adulterou os dados, sem precisar registrar cada evento individualmente, o que seria caro e inviável em escala.
O ganho prático aparece em quatro frentes. A integridade dos dados se mantém mesmo em grandes redes de sensores. A privacidade também, porque o sistema nunca expõe publicamente variáveis físicas como consumo e tensão. A auditoria se torna granular e verificável. E o middleware conversa com sistemas que as concessionárias já usam, como SCADA e ERP.
Vale o registro: a solução ainda é um projeto de pesquisa, com protótipo e artigo acadêmico que pesquisadores da UnB apresentaram em 2026. Ainda assim, ela mostra um caminho concreto para tornar a infraestrutura das cidades inteligentes brasileiras mais confiável — o mesmo princípio de integridade que já vimos em casos de privacidade no monitoramento ambiental.
Fontes: UnBChain, apresentação Claudia Abbas (UnB, 2026)