
Imagem: Shubham Dhage/Unsplash
Para alguns, captar R$ 1 milhão no mercado tradicional costuma não valer a pena. Afinal, o valor é pequeno demais para justificar os custos de uma oferta convencional. Foi quando a tokenização de dívida mudou a conta para a B.U Network, uma empresa brasileira de aluguel de carros de luxo. Em vez de bater na porta de um banco, ela emitiu a dívida em forma de tokens e assim financiou sua expansão para Wellington, na Flórida.
Para viabilizar a oferta, a Tokeniza estruturou a operação e registrou a emissão em blockchain. Assim, a empresa aproveitou a dispensa regulatória que a CVM concede ao crowdfunding de investimento, e que hoje também abrange a tokenização. Vale esclarecer um ponto, a empresa não tokenizou os carros de luxo. Ou seja, o ativo digital aqui é a própria dívida, um título que o investidor compra e que a empresa se compromete a pagar.
Como funciona a tokenização de dívida?
Primeiro, a empresa define a captação que precisa. Depois, a Tokeniza transforma essa dívida em tokens registrados em blockchain. Em seguida, investidores compram esses tokens e injetam o capital na operação. Como tudo roda em uma rede descentralizada, o investidor pode negociar cada token 24 horas por dia, com liquidação quase instantânea. Dessa forma, a tecnologia conecta uma empresa brasileira a investidores locais para financiar até uma operação no exterior – algo difícil pelo crédito bancário convencional.
O caso mostra um uso cada vez mais comum da tecnologia: a tokenização como alternativa de funding. Segundo a Tokeniza, essa foi a 12ª captação estruturada para o mesmo grupo, e a empresa já soma mais de 100 emissões de tokens e cerca de R$ 30 milhões levantados. O movimento conversa com outras aplicações que trazem a blockchain para o mundo dos ativos reais, como a tokenização de bens de luxo e o modelo rent-to-own para a casa própria. Em todos, a lógica se repete: usar o registro imutável para democratizar o acesso a oportunidades que antes ficavam restritas a poucos.
Fontes: Exame, Tokeniza, Exame – tokenização no Brasil