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Para milhões de brasileiros, a casa própria esbarra sempre no mesmo problema: sem entrada, sem aprovação de crédito e sem fôlego para dívidas longas, o sonho não sai do papel. Foi para furar esse bloqueio que a ex-atleta olímpica de wrestling, Aline Silva, criou a Firmeza Token, uma startup social que aplica blockchain e tokenização ao modelo “rent-to-own”, em português, “alugar para comprar”. O foco são mães solo e famílias das classes C, D e E, muitas fora do mercado formal de trabalho.
A proposta parte de uma inversão simples, ou seja, em vez de exigir entrada e financiamento, o modelo deixa o morador entrar pagando aluguel. Aos poucos, esse aluguel vira propriedade.
Como funciona o rent-to-own com blockchain?
Primeiro, a startup adquire imóveis em leilão. Depois, faz a tokenização de cada imóvel, ou seja, cria uma representação digital dele, dividida em frações registradas em blockchain. Então, o interessado passa a morar no local como inquilino e, mês a mês, compra pequenas frações do imóvel. À medida que acumula frações, o valor do aluguel diminui progressivamente. Por fim, quando adquire todas, o imóvel se torna totalmente dele. É o mesmo princípio da tokenização de ativos, só que aqui, aplicado à moradia.
Como já sabemos, a blockchain funciona como um livro de registros digitais, transparente e imutável. Assim, cada compra de fração fica rastreável. Além disso, entram em cena os smart contracts, os contratos inteligentes que executam as regras de forma automática. Na prática, se uma das partes descumpre o acordo, o sistema bloqueia o processo sozinho e só o libera quando a pendência é resolvida. Dessa forma, a tecnologia acaba reduzindo o risco para os dois lados e sustenta a promessa de um custo menor que o do financiamento tradicional, com prazo de quitação mais curto.
O apelo social é o coração do projeto. Aline se inspirou na própria história, da sua infância vulnerável na zona sul de São Paulo ao ouro mundial, e também dirige a ONG Mempodera, que impacta mais de 600 jovens. No entanto, vale uma ressalva, a Firmeza Token ainda valida o negócio, já reúne alguns investidores e projeta lançamento oficial para o próximo ano. Em resumo, o caso mostra como a blockchain pode transformar o aluguel, hoje só despesa, em um caminho gradual e verificável rumo à casa própria.
Fontes: Estadão, Poder360, Firmeza Token