
Uma pesquisa recente da Universidade de Tsinghua, na China, mostra a estagnação das taxas globais de reciclagem: apenas 9,5% do plástico mundial é produzido a partir de material reciclado. O restante é produzido a partir da extração de combustíveis fósseis, predominantemente petróleo e gás. Na última década, o Brasil vem tentando mudar este cenário com incentivos para a compra e venda de recicláveis, por meio de normativas que apoiam a otimização da cadeia de reciclagem.
Em 2026, foi sancionada a Lei 15.384, que desobriga o recolhimento de Pis/Pasep e Cofins para quem vende restos de papel, vidro, plásticos e metais recicláveis, portanto, um incentivo fiscal capaz de reduzir custos em todo o fluxo dos materiais. A blockchain já se mostrou aliada em processos de rastreabilidade do plástico reciclável e, agora, novas aplicações da tecnologia são desenvolvidas para registro de transações desde o descarte de materiais até a compra final pela indústria.
Pesquisadores do UnbChain criaram uma solução para apoiar a rastreabilidade de plástico PET, especialmente, no contexto integrado de cidades inteligentes. Estas, por sua vez, são concebidas sob a promessa de serem verdadeiramente sustentáveis, por isso, a reciclagem precisa ser algo simples e economicamente vantajosa. Os sistemas tradicionais de reciclagem sofrem com dois problemas: a logística de coleta ineficiente e a falta de incentivos tangíveis e imediatos para os cidadãos. O projeto da UnbChain tenta minimizar esses gargalos com uma estrutura ciber-física inteligente de reciclagem.
“Contêiner inteligente”
O projeto integra inteligência artificial e blockchain para automatizar e recompensar o descarte adequado de resíduos, em apenas 4,2 segundos. A solução prevê a instalação de “contêineres inteligentes”, equipados com sensores e com uma versão do modelo de inteligência artificial YOLO (You Only Look Once), usado para detecção de objetos em imagens e vídeos. Este modelo seria treinado com dados personalizados em um sistema que não apenas detecta a presença de uma garrafa, mas analisa suas condições (tampas, rótulos, danos).
Assim que uma garrafa PET é descartada, o coletor detecta e processa uma micro-recompensa. Por meio da implementação de contratos inteligentes, acontece a distribuição de tokens que vão para uma carteira digital de quem descartou o plástico. Ao transformar o plástico em um ativo digital imediato, esta estrutura oferece um modelo escalável e financeiramente autossustentável para ecossistemas de resíduos.
Fontes: UnBChain e Isto é Dinheiro