Tokenização de fósseis

Dinossauro tokenizado
Imagem: Divulgação Solana Floor

Quando especialistas em blockchain falam sobre a possibilidade de transformar qualquer ativo físico em digital, certamente não pensamos em ativos tão improváveis como os fósseis. Mas é exatamente isso que o projeto Jurassic Finance, em parceria com a Solana, fez: tokenizou o Deaton, um crânio de Triceratops prorsus.

A Jurassic Finance lançou, em agosto de 2026, uma campanha de angariar fundos para tokenizar o Deaton, na Solana. O objetivo era atrair 660 mil dólares (em $USDC) para adquirir o fóssil e criar uma estrutura de propriedade tokenizada em torno do dinossauro. Portanto, não é apenas o lançamento de um token, a empresa recria o universo dos colecionáveis, incluindo objetos historicamente importantes e criando o primeiro dinossauro tokenizado.

Como funciona a tokenização de fósseis?

A tokenização de fósseis funciona em uma lógica parecida com outros colecionáveis. Uma empresa gestora do ativo procura e adquire fósseis autenticados por meio de negociantes, coleções privadas e leilões. Em seguida, cada espécime recebe um Veículo de Finalidade Específica (Special Purpose Vehicle – SPV) dedicado, que estabelece a propriedade legal. 

Esse SPV detém legalmente o espécime, enquanto a empresa gestora emite um token para representar digitalmente os direitos econômicos e legais associados a esse ativo. Em paralelo, os museus expõem os fósseis, encarregando-se da custódia, do seguro, da manutenção e do armazenamento. Já os detentores de tokens, a partir de seus investimentos, mantêm o ciclo econômico do ativo.

Nessa lógica, há uma expectativa de que todos ganhem. Os museus se beneficiam com a exposição de fósseis raros, que atraem o público. Enquanto isso, os donos de tokens podem reunir ganhos com a valorização e a atividade econômica do ativo. 

Ativo digital x fóssil 

No caso de Deaton, o token terá o símbolo $TRCH1. A Jurassic Finance fracionou a propriedade, permitindo que vários investidores tenham partes do fóssil valoroso que, normalmente, seria adquirido por um único comprador.

Já o Deaton físico, é um fóssil com três chifres originais e provém da Formação Hell Creek (um famoso sítio de fósseis), no Condado de Slope, Dakota do Norte (EUA). Os cientistas estimam que o crânio remonte a cerca de 66 milhões de anos, portanto, o período do Cretáceo Superior. O fóssil foi originalmente catalogado pelo paleontólogo Othniel Charles Marsh, em 1890. As espécies do gênero Triceratops  são bem conhecidas por sua cabeça com três chifres, que motiva a nomenclatura.

Fontes: Exame, Solana Floor, Jurassic Finance, Biodiversity Library