Privacidade no monitoramento ambiental 

Monitoramento ambiental
Imagem: Canva

A tecnologia blockchain, especialmente associada à IoT (Internet das Coisas), tem sido amplamente utilizada no monitoramento de informações ambientais. Sistema de mensuração, geração de relatórios e verificação de dados ancoram evidências ecológicas de forma descentralizada e baseiam decisões estratégicas. Apesar de a blockchain garantir auditabilidade contínua, ainda há um dilema de privacidade a ser resolvido.

Veja exemplos: “Software do clima”, Monitoramento de taludes, Gestão de riscos climáticos

A natureza intrinsecamente transparente da blockchain pode, paradoxalmente, expor informações sensíveis, tornando transações e dados publicamente acessíveis para as entidades participantes da rede. Geralmente, sistemas de monitoramento ambiental adotam arquiteturas híbridas baseadas em blockchain e IPFS  (InterPlanetary File System) para mitigar os altos custos de armazenamento on-chain. Contudo, a transparência dessas redes públicas expõe dados ambientais sensíveis, a exemplo de coordenadas de áreas florestais protegidas, localização em tempo real, consumo ou geração de energia, entre outros.  

ECIES

Pesquisadores brasileiros mapearam soluções atuais que tentam mitigar esta vulnerabilidade por meio de redes de consórcio privadas ou controles de acesso centralizados. No entanto, essa abordagem sacrifica a premissa de descentralização e limita a interoperabilidade de sistemas de monitoramento ambiental em escala global. 

Esses mesmos pesquisadores propuseram, então, uma ferramenta de privacidade aplicada à blockchain e a instrumentos de medição inteligentes. A solução funciona para respostas off-chain confidenciais disparadas por eventos on-chain, garantindo confidencialidade seletiva, integridade e auditabilidade pública em arquiteturas híbridas baseadas em blockchain e em IPFS. Tudo isso, usando o esquema ECIES (Elliptic Curve Integrated Encryption Scheme).

A adoção da criptografia baseada no ECIES, aliada à uma proposta de recuperação nativa de chaves públicas, descarta a dependência de infraestruturas de gerenciamento de chaves centralizadas e externas à rede. Isso contribui para resolver o problema entre a transparência inerente aos registros públicos e a necessidade de privacidade exigida por registros de dados ambientais.

Fontes: WBlockchain 2026, Sociedade Brasileira de Metrologia