
A tecnologia blockchain tem o potencial de democratizar a partilha e monetização de dados e análises, removendo intermediários para facilitar as transações. Isso significa que, num futuro próximo, os brasileiros poderão ganhar dinheiro com seus próprios dados, usando informações que já fornecem diariamente para operações do Estado e do mercado. A ideia é que plataformas baseadas em blockchain deem aos consumidores mais controle sobre seus dados e, consequentemente, mais poder de negociação com as empresas. Hipoteticamente, eles poderiam exigir descontos de preços em troca de revelar dados sobre seus consumos pessoais do produto ou serviço de uma empresa.
Mas o assunto ainda é muito polêmico, especialmente, por tensionar a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD). Recentemente, foi proposto na Câmara dos Deputados, o Projeto de Lei Complementar (PLP) 234/23, que cria o Ecossistema Brasileiro de Monetização de Dados, ou seja, um sistema que ancora as decisões dos titulares acerca do uso e comercialização dos próprios dados pessoais. A partir de uma plataforma nacional, os cidadãos poderiam controlar a anuência a políticas de privacidade, tendo por base legal o livre consentimento, que pode ser revogado a qualquer momento.
“Vale tudo”?
Muitos especialistas temem que este modelo de bonificação e monetização de dados pessoais crie um cenário de “vale tudo” no tratamento de dados em troca de pagamento – especialmente em um país com grandes desigualdades sociais como o Brasil. Já os mais otimistas em relação ao sistema único, destacam a tecnologia blockchain como ferramenta de registro detalhado de todas as transações, o que dá uma visão geral de gestão de dados e elimina a necessidade de vários sistemas.
O modelo de monetização de dados pessoais vem sendo testado na Argentina, Espanha e Reino Unido por meio de um marketplace da empresa Wibson. Com um aplicativo móvel e um token próprio (WIB), as pessoas conseguem monetizar informações pessoais. A certificação das transações ocorre por meio de contratos inteligentes no marketplace e os usuários recebem o pagamento diretamente em suas carteiras digitais no aplicativo.
Em abril de 2025, durante um evento no Rio de Janeiro, o presidente da Dataprev, Rodrigo Assumpção, anunciou que, em parceria com a empresa DrumWave, o Brasil está desenvolvendo uma iniciativa que poderá monetizar dados já gerados em contratos de crédito consignado.
Fonte: Legislacaoemercados, Ciência e Dados, Cointelegraph