
O mundo da moda mexe com o imaginário das pessoas porque conecta desejos de consumo. E se as pessoas agora estão boa parte do tempo online, é claro que a moda iria se apropriar deste ambiente se adaptando à tendência de digitalização.
Marcas como Gucci, Prada, Nike, Adidas, Reserva e Balenciaga estão investindo em lançamentos de coleções em NFT (tokens não-fungíveis), provadores e desfiles no metaverso, entre outras experiências tecnológicas. Tudo isso é parte da chamada “desmaterialização”, que amplia a migração de produtos para serviços para a Web 3. As empresas estão tokenizando objetos de consumo e substituindo o tangível pelo ativo digital.
Uma ideia sedutora por trás dos NFT de roupas e acessórios é a de que o consumo de peças tokenizadas poderia reduzir a produção de roupas físicas, e, por consequência, impactar políticas de resíduo têxtil. Afinal, a sociedade contemporânea tem como grande desafio a naturalização de um consumo mais consciente, que respeite o meio ambiente em oposição ao consumo desenfreado da moda rápida (fast fashion).
Outra ideia interessante é a agilidade no processo produtivo, já que produtos digitais podem ser planejados junto ao desenvolvimento de jogos e ambientes de metaverso. E neste caso, a moda não se restringe a peças de roupas e que compõem o “look”, mas se amplia para o universo de criação de filtros para avatares, por exemplo.
Em um cenário (quase) distópico seria como colocar na balança do consumo: é mais interessante customizar meu avatar para uma reunião virtual ou pensar na roupa física que usarei no home office? Neste sentido, a ideia de digitalização e tokenização da moda pode ser até excludente, considerando o acesso, ainda restrito, à Web 3.
Dispositivos vestíveis (wearables)
Por exemplo, um mercado crescente envolve a invenção de dispositivos de adorno ou vestimenta com funcionalidades específicas para o metaverso. Os wearables ficaram mais populares em aplicações para saúde, e que acessórios (como relógios e pulseiras) conseguem registrar informações fisiológicas para monitoramento de sinais vitais ou métricas de exercício físico. No entanto, a ideia por ser apropriada pela moda já que um wearable é pensado para estender a funcionalidade física ou, ainda, para se conectar com outros usuários no metaverso.
Algumas marcas já estão usando esta ideia de conectividade, mesmo que não seja especificamente pensada para a Web 3, nem mesmo baseada em registro de dados com blockchain. A Levis, por exemplo, criou uma uma jaqueta que permite controlar música, atender chamadas, tirar fotos, pesquisar endereços e atualizar-se em tempo real sobre as notícias e o clima. Já o Oura Ring é um anel que rastreia o sono, a atividade física e outros parâmetros de saúde, ou seja, um modelo que agrega funcionalidades como o Apple Watch.
Enfim, considerando a moda como uma forma de comunicação de pessoas (avatares, personagens), a digitalização e a tokenização podem amplificar a dinâmica simbólica do vestir, especialmente, na interação dos sujeitos dentro do ambiente digital.
Fonte: Revista Ensino em Artes, Moda e Design; Meio e Mensagem; Haco