
A cadeia produtiva da macaúba, que é matéria-prima para combustível sustentável de aviação (SAF), vai se beneficiar da rastreabilidade com tecnologia blockchain. O objetivo é registrar cada etapa de produção dessa palmeira, típica de regiões do semiárido e do Cerrado, desde o plantio, passando pela biorrefinaria e até a entrega do biodiesel para o mercado.
A empresa de energia Acelen Renováveis contratou a startup europeia Finboot, especializada em rastreabilidade, para implementar a solução tecnológica em sistemas produtivos de macaúba no Recôncavo Baiano. A região concentra projetos de expansão do cultivo da macaúba no Brasil porque tem condições climáticas favoráveis.
Ter uma produção auditável, coloca as empresas brasileiras produtoras de combustível renovável em um cenário de maior competitividade internacionalmente. Afinal, elas precisam apresentar conformidade e certificações de sustentabilidade compatíveis com as exigências de reguladores de companhias aéreas globais. A imutabilidade dos registros distribuídos, propiciada pela blockchain, é vantajosa em relação aos sistemas tradicionais de documentação, que são suscetíveis a fraudes e inconsistências.
Macaúba, a palmeira do biodiesel
A macaúba tem sido considerada uma planta importante para o presente e o futuro da produção de combustível sustentável no Brasil. O vegetal produz de sete a dez vezes mais óleo para biocombustível por hectare do que a soja e com a vantagem de poder ser usado largamente na aviação.
O biocombustível de macaúba polui entre 70% a 80% menos que o querosene comercial da aviação. A expectativa é que a macaúba se torne a biomassa mais competitiva do mundo para SAF.
A macaúba tem a vantagem de ser uma cultura perene e que não compete com a produção de alimentos, já que pode ser usada para recuperar terras degradadas. A palmeira da macaúba é conhecida pela população norte-mineira e nordestina. Ela alcança até 25 metros de altura, tem frutos marrom-amarelados e espinhos. A planta tem boa tolerância a ambientes secos, ao estresse hídrico e a variações climáticas.
Fontes: ALMG, Space Money