Tokenização de derivativos climáticos 

Derivativos climáticos
Imagem: Chris Gallagher/Unplash

Segundo estimativas da Organização Meteorológica Mundial, desastres relacionados ao clima causaram uma perda econômica global de mais de 2 trilhões de dólares na última década. Portanto, é urgente a criação de instrumentos financeiros que protejam empresas, governos, organizações do terceiro setor e as populações das incertezas trazidas pela crise. Esses instrumentos precisam existir porque o clima é um dos maiores riscos financeiros não protegidos na atualidade. 

Nesse contexto, surge o processo de tokenização de derivativos climáticos, instrumentos financeiros que pagam quando as condições climáticas ultrapassam limites predefinidos. Os derivativos climáticos são contratos financeiros cujo valor depende de uma variável relacionada ao clima como temperatura, chuva, vento, neve ou número de dias secos. 

Sendo assim, o processo de tokenização de derivativos não é somente a criação de um depósito digital de ativos tradicionais geradores de rendimento, como títulos, trata-se de transformar a variação climática crítica em ativo digital com representação única (token). Os seguros tradicionais relacionados ao clima são baseados em perdas e danos por eventos extremos, mas a tokenização é ancorada em índices e variações climáticas. 

Nessa mesma lógica, um pagamento tradicional de sinistro causado pelo clima, exige a comprovação do prejuízo, todavia, no caso do token, o ativo é liquidado automaticamente quando o índice ao qual está acoplado atinge os gatilhos. E, claro, esses pagamentos são facilitados pela camada blockchain e por smart contracts.

Exemplos de derivativos climáticos

Imagine que uma companhia de energia elétrica pode adquirir um contrato que paga determinada quantia caso as temperaturas de inverno se mantenham muito altas, reduzindo a demanda por aquecimento e, consequentemente, a receita. 

Em outro exemplo, uma empresa aérea pode se proteger contra o custo de cancelamentos de voos causados por tempestades. Ou, ainda, um agricultor pode se resguardar contra o fracasso do período chuvoso, que prejudica sua colheita. 

Nos três casos, os contratos de pagamento são muito específicos e baseados em índices climáticos pré-definidos.  

Fonte: Eko, CoinDesk, A Primer on Weather Derivatives