
A imagem de alguém comprando em lojas físicas, pagando com dinheiro e talões de cheque, nos remete às memórias do século passado, apesar de ainda ser um modo possível de transações no varejo. Há muitos anos, os cartões de crédito/débito, agora versões digitais por aproximação, viraram símbolo máximo do ato de comprar. Isso sem falar na possibilidade que os brasileiros têm de fazer PIX.
Tradicionalmente, o dinheiro é movimentado por bancos, bandeiras de cartão e câmaras de compensação, com cada intermediário recebendo sua parte e definindo o ritmo. A tecnologia blockchain traz a possibilidade de descentralizar esse processo e, quando associada à Inteligência Artificial, pode representar a automatização completa do ato de compra.
A blockchain substitui a “camada dos bancos” por um livro-razão compartilhado e inviolável, no qual os pagamentos podem ser enviados diretamente, confirmados em minutos e liquidados 24 horas por dia, 7 dias por semana. Isso muda quem controla o processo, como os custos se acumulam e o que é tecnicamente possível quando o dinheiro é programável. Para fazer um pagamento, ativos digitais de uma carteira digital são enviados para outra e a transação é registrada em um livro-razão compartilhado que qualquer pessoa pode verificar.
Funciona assim: uma solicitação de pagamento é criada na carteira do comprador e enviada para a rede. Os nós da blockchain – computadores interconectados que compartilham informações na rede – confirmam a existência dos fundos para bancar o valor da compra. Após a transação ser verificada, ela é adicionada a um “bloco” e armazenada permanentemente na cadeia. O novo saldo aparece na carteira do comprador.
Vantagens e desafios
As grandes vantagens são a transparência e auditabilidade, sendo que qualquer pessoa pode visualizar o registro da transação. Isso porque os protocolos de criptografia e consenso tornam o processo resistente a adulterações. Como o sistema é executado continuamente, os pagamentos podem ser liquidados em minutos, em vez de dias, e não há fechamentos nos fins de semana ou feriados. Também são características vantajosas a eliminação de intermediários, que reduz o custo; e o alcance global, pois qualquer pessoa com uma conexão à Internet pode enviar ou receber pagamentos em blockchain sem necessidade de conta bancária.
Os “veículos” de pagamento com blockchain são as criptomoedas, stablecoins (tipo específico de criptomoeda atrelada a um ativo estável) e moedas digitais de bancos centrais (CBDCs). Alguns dos desafios das compras com blockchain são a volatilidade de preços, incertezas regulatórias que as criptomoedas ainda têm e barreiras técnicas a usuários não tão experientes com gerenciamento de carteira digital e chaves de proteção.
Ademais, a união entre blockchain e ferramentas de IA possibilita a automatização em todas as etapas do ciclo de pagamentos e a personalização da experiência de checkout. Na prática, uma IA pode – em tempo real – dizer ao comprador qual é a melhor forma de pagamento no ato da compra, oferecendo a ele a escolha mais segura e adequada ao momento financeiro deste usuário.
Tokenização de pagamentos
A digitalização dos meios de pagamento acelerou fluxos e aumentou a pressão sob instituições para conciliar eficiência e segurança. Um método crescente na atualidade é a tokenização de pagamentos, na qual dados sensíveis de pagamento, como número do cartão (PAN), são substituídos por um identificador único (token) sem valor intrínseco. Nesse processo, o token corresponde ao dado original apenas dentro de um sistema seguro que mantém o mapeamento entre token e dado “real”.
Portanto, cada transação recebe um identificador único, o que permite cruzar informações em tempo real e reduzir inconsistências contábeis. Sendo assim, há um ganho de unicidade, rastreabilidade e automatização, o que elimina a necessidade de múltiplos sistemas intermediários.
Fontes: Stripe e RTM