
Para resolver o problema de spams e e-mails indesejados que inundam, diariamente, a nossa caixa de entrada, existem soluções tradicionais, como listas de bloqueio baseadas em DNSBL (Domain Name System Blocklist). Estas, por sua vez, são amplamente adotadas, no entanto, apresentam limitações relacionadas à centralização e governança. É nesse contexto que surgem soluções baseadas em blockchain para o gerenciamento descentralizado de listas de bloqueio de remetentes maliciosos.
As aplicações com blockchain podem ser mais eficientes do que os protocolos tradicionais porque permitem mais transparência, rastreabilidade e cooperação entre múltiplas entidades. A empresa do software Salesforce já patenteou uma plataforma verificadora que detecta se e-mails foram alterados ou adulterados após serem enviados por meio de um sistema de correspondência personalizado.
Na prática, funciona assim: quando um usuário envia um e-mail, uma parte é registrada em rede blockchain. Depois, um sistema de correspondência determina se o e-mail enviado é legítimo ou não e, quando um segundo servidor recebe a mensagem, ele vai fazer uma comparação para determinar se há correspondência com a informação registrada na blockchain. Se os componentes corresponderem, o e-mail continuará na caixa de entrada, mas se houver discrepância, o e-mail será marcado como spam. A ideia é garantir que mensagens e anexos não sejam modificados durante o trânsito pela rede.
Remetentes maliciosos
Outro exemplo é a arquitetura desenvolvida por pesquisadores brasileiros para o gerenciamento descentralizado de uma lista de bloqueio. A solução proposta integra uma rede blockchain permissionada, implementada com o Hyperledger Besu, a um servidor de e-mail amplamente utilizado, o Postfix. Os cientistas propõem uma arquitetura integrada desses dois elementos permitindo, então, a verificação de remetentes. Os resultados obtidos em ambiente controlado indicam a viabilidade da solução para rejeição de mensagens provenientes de remetentes maliciosos.
Nesse contexto, a proposta dos pesquisadores pode ser compreendida como um mecanismo complementar às soluções tradicionais baseadas em DNSBL, contribuindo para a redução da dependência de mecanismos centralizados e oferecendo mais transparência manutenção das informações.
Fontes: CoinDesk, WBlockchain 2026.