
O Open Finance mudou a lógica do sistema financeiro brasileiro ao permitir que o cliente autorize o compartilhamento dos seus dados entre instituições, isso de um banco para uma fintech, por exemplo. Isso se dá na busca de crédito mais barato, melhores ofertas e serviços personalizados. Todo esse ecossistema, regulado pelo Banco Central, gira em torno do consentimento. E é justamente que o uso de blockchain no Open Finance encontra uma aplicação que vai além da já conhecida gestão de identidade digital descentralizada.
O desafio é quando o cliente autoriza que a instituição A acesse seus dados na instituição B, é preciso provar, de forma inquestionável, quem consentiu o quê, quando, por quanto tempo e quando a permissão foi revogada. Como esses registros costumam ficar espalhados nos bancos de dados de cada participante, surgem divergências, dificuldade de auditoria e risco de conformidade diante da LGPD.
Cada autorização, renovação ou revogação de acesso é registrada como uma transação em uma rede distribuída, com carimbo de tempo e sem possibilidade de alteração posterior. Pesquisadores encontraram arquiteturas específicas para isso, como o framework ConsenTrack, que usa blockchain para rastrear os dados de consentimento no open banking e gerar provas verificáveis de que cada permissão foi concedida, dando transparência ao processo. O resultado é uma fonte única de verdade sobre aprovações e revogações, acessível a instituições, ao cliente e ao regulador, o que reduz disputas e o trabalho manual de reconciliação. É a blockchain resolvendo um problema de confiança sem depender de um intermediador central.
Pagamentos e DREX
Esse mesmo princípio se estende a outras camadas do Open Finance. Na iniciação de pagamentos, registros distribuídos podem reduzir o custo de conciliação e os atrasos de liquidação entre participantes. E, no horizonte, a integração entre Open Finance, tokenização de ativos e o DREX aponta para um sistema em que dados compartilhados alimentam crédito tokenizado liquidado em moeda digital. No entanto, a interoperabilidade entre diferentes redes blockchain ainda é um obstáculo técnico relevante para que essas soluções operem em escala.
Fontes: Ramos et al. (OLEL, 2025), ConsenTrack (Springer), Banco Central – Open Finance, Grafeno, Exame