Autenticação de arte digital

Autenticação de arte digital
Imagem: Kelly Sikkema/Unplahs

Você conhece a história de John Myatt, o artista britânico condenado por falsificação de arte? Juntamente com seu financiador, John Drewe, o pintor protagonizou o que foi descrito como uma das maiores fraudes de arte do século XX. Myatt foi pago para pintar réplicas de quadros de artistas como: Matisse, Giacometti, Braque, Picasso, Le Corbusier, Monet e Renoir. Durante as décadas de 80 e 90, Myatt e Drewe faturaram milhares de dólares comercializando artes em tradicionais casas de leilão. Em 1999, os dois foram condenados e presos por conspiração para cometer fraude. Por causa desse tipo de crime, a comprovação da autenticidade de uma obra é fundamental para o mercado cultural. 

Historicamente, a produção de arte é uma celebração da criatividade. Um estilo, uma linguagem, um formato ou uma assinatura eram perfeitos para diferenciar o talento de artistas. Mas, com o tempo surgiu a necessidade de autenticação a partir da seguinte questão:  como saber se uma obra é, realmente, original e feita por aquele artista específico? Tradicionalmente, esse processo de autenticação dependeu de certificados de papel, registros de proveniência de galerias e opiniões de especialistas para comprovar características das obras. A autenticação de uma obra se dá, primordialmente, por meio de um Certificado de Autenticidade, que funciona como garantia de originalidade. 

Arte digital

Atualmente, no contexto da arte digital, os métodos analógicos já não são suficientes, especialmente, porque ficaram mais aprimorados os métodos de falsificação e adulteração. A blockchain tem sido usada para apoiar o registro e auditabilidade na comprovação de arte digital. A tecnologia é vista como opção para proteger o trabalho de artistas e as relações com colecionadores. Além da proteção, a blockchain tem alterado lógicas de posse e comercialização de arte, principalmente a partir dos colecionáveis. 

Como uma rede blockchain é um livro-razão distribuído e imutável, os dados que são registrados não podem ser alterados ou excluídos. Para a arte, isso significa criar um registro permanente e verificável do fluxo da obra:  criação, transferências de propriedade, histórico de exposições e relatórios de condição. Cada transação é criptograficamente vinculada à anterior, criando uma cadeia inquebrável e rastreável. Por isso, várias casas de leilão e galerias começaram a experimentar com registros de proveniência baseados em blockchain.

Diferentemente dos NFTs, que tratam somente da transferência de propriedade e não da comprovação de originalidade, a autenticação de arte digital requer um sistema confiável que verifique a identidade do artista no momento da criação do certificado. Embora a blockchain seja uma alternativa interessante para o mundo da arte, há desafios como a complexidade técnica e a possibilidade de uma rede se tornar obsoleta ou abandonada. Considerando isso, muitos artistas adotam, hoje, uma abordagem híbrida que combine autenticação tradicional com opções baseadas em blockchain. 

Fontes: Sepialy, Zipper Galeria, My Art Broker