
Os momentos de crise, além de mobilizarem as pessoas no entorno de ações de cidadania, são reveladores para tecnologias emergentes e suas utilidades públicas. A blockchain, por exemplo, tem sido usada para acelerar e garantir transparência em campanhas de ajuda humanitária pelo mundo, com destaque para o ecossistema que se mobilizou para apoiar a Venezuela após os terremotos devastadores de 24 de junho de 2026.
O centro-norte do país foi abalado por dois terremotos, de magnitudes de 7,2 e 7,5, deixando milhares de mortos e milhões precisando de ajuda. Nesse contexto, o circuito bancário tradicional tem respostas lentas para a movimentação financeira necessária, o que favorece operações apoiadas em blockchain, pelo caráter descentralizado e transfronteiriço.
Diante da urgência, grandes players do mercado financeiro implementaram medidas de apoio financeiro direto ao país. A Binance anunciou uma doação de 3 milhões de dólares em USDT destinada aos usuários dos sete estados atingidos pelos tremores. A plataforma de câmbio P2P latino-americana, El Dorado, eliminou suas comissões para transferências para a Venezuela feitas por expatriados. A Bitso – grupo de serviços financeiros digitais líder na América Latina – anunciou o lançamento de “uma wallet para a Venezuela”, com intuito de arrecadar fundos de forma rápida e segura para fornecer assistência direta e insumos básicos às comunidades impactadas pelo desastre.
Investidores locais fizeram parceria com a Decaf Pay para centralizar as contribuições internacionais em USDC, por cartão de crédito ou transferência, com os fundos sendo posteriormente convertidos localmente. A Universidade Católica Andrés Bello (UCAB), instituição de ensino privada da Venezuela, abriu o “Emergency Earthquake Fund Venezuela 2026”, aceitando bitcoin, USDT e BinancePay.
Também neste caso da Venezuela, instituições tradicionalmente envolvidas em ajuda humanitária como a Mercy Corps e World Vision recebem ajuda digital por meio da plataforma especializada em criptomoedas, The Giving Block. Portanto, essas iniciativas mostram o uso social da tecnologia blockchain como parte de uma infraestrutura humanitária mundial, confiável e auditável.
ONU usa blockchain na ajuda humanitária
O Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) da Organização das Nações Unidas (ONU), apoia 23 soluções baseadas em blockchain e impacta direta e indiretamente 31 milhões de vidas em 159 países. A informação foi apresentada pelo representante do Unicef no evento Tokennation 2026, realizado em São Paulo. O Unicef usa blockchain em iniciativas de impacto social desde 2017, sobretudo, para tokenização de identidades e rastreamento de populações em situação de refúgio, além de apoio na logística de suprimentos em emergências humanitárias. No Brasil, o Unicef apoia o Projeto Helipa Games, que incentiva o desenvolvimento de jogos liderados por meninas de Heliópolis, em São Paulo.
Já o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) assinou um novo acordo com a Stellar Development Foundation para expandir o uso de pagamentos baseados em blockchain. O acordo veio após a conclusão de projetos-piloto, durante 16 meses, em cinco países: Haiti, Síria, Quênia, Guatemala e Gâmbia. Há, também, projetos adicionais em andamento na Colômbia e Papua-Nova Guiné. Em junho de 2026, o PNUD lançou um Grupo Consultivo sobre Blockchain para orientar o uso da tecnologia indo além dos pagamentos digitais. O grupo vai explorar o uso de blockchain em infraestruturas públicas digitais para aprimorar sistemas públicos.
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Fontes: Contribuinte, LiveCoins, Cointelegraph, UNICEF