Rastreamento de bens públicos com blockchain

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Todo órgão público precisa saber onde estão seus bens: computadores, mobiliário, veículos, equipamentos. Na prática, porém, esse controle patrimonial ainda depende de planilhas e inventários manuais, sujeitos a erro, extravio e fraude. O rastreamento de bens públicos com blockchain surge como resposta a esse problema antigo da administração pública.

A Fundação de Apoio à Pesquisa do DF (FAPDF) liberou R$ 843 mil para o projeto HADES, que aplica blockchain à gestão dos bens do Governo do DF. A professora Claudia Jacy Barenco Abbas coordena o grupo responsável e também lidera a UnBChain, o núcleo de blockchain da Universidade de Brasília.

Como funciona o rastreamento de bens públicos com blockchain?


Cada bem recebe uma etiqueta de identificação que liga o item físico ao seu registro digital. A UnBChain, em seu portfólio, aponta o uso de tags RFID para essa conexão. Depois, cada movimentação, transferência ou baixa entra em um livro-razão distribuído. Como esse registro é imutável, ninguém consegue alterar ou apagar o histórico de um bem sem deixar rastro. Dessa forma, a blockchain protege os dados contra ataques e adulterações, e dá aos gestores um mapa preciso e confiável de todo o patrimônio estatal.

Os ganhos vão além da segurança. A automação dos registros burocráticos reduz custos administrativos. A transparência aumenta, já que o histórico de cada ativo fica auditável de ponta a ponta. E o monitoramento passa a ser contínuo, em vez de depender de conferências pontuais. Vale o registro, o HADES ainda está em fase de implementação e testes operacionais, com cronograma que a FAPDF definiu. Ainda assim, ele mostra um caminho real para o uso de blockchain em serviços públicos no Brasil, aplicando ao patrimônio o mesmo princípio de integridade que a tecnologia leva a outras áreas do governo.

Fontes: Livecoins, UnBChain, FAPDF