Rastreamento digital de mudas nativas

rastreamento digital de mudas nativas com blockchain
Imagem: Unsplash

Plantar árvores é a parte fácil da restauração ambiental. Agora, o difícil é provar que cada muda sobreviveu, cresceu e realmente recuperou a área degradada. Sem essa comprovação, auditorias emperram e a certificação ambiental fica frágil. Para resolver isso, a mineradora Kinross iniciou em Paracatu (MG) um projeto piloto de rastreamento digital de mudas nativas com blockchain, na recuperação de mais de 10 hectares.


A iniciativa nasceu de uma parceria com a Tree Earth, startup amazonense de tecnologia ambiental. Juntas, as duas buscam contemplar três camadas: georreferenciamento de alta precisão, monitoramento por satélite e registro em blockchain. Assim, cada etapa da restauração ganha uma trilha verificável.

Como funciona o rastreamento digital de mudas?

Cada muda recebe um registro digital individual, atrelado às suas coordenadas geográficas. Em seguida, o sistema reúne localização, histórico de campo, documentação técnica e a evolução da vegetação. Depois, uma plataforma integra tudo com imagens de satélite. Dessa forma, o registro em blockchain torna esses dados imutáveis e auditáveis, do viveiro até o acompanhamento da árvore ao longo do tempo. Ou seja, dispensa boa parte das vistorias presenciais e reduz o risco de fraude no reporte.


O objetivo prático é fortalecer o chamado MRV (Mensuração, Reporte e Verificação), metodologia que organiza os dados de projetos ambientais. Com uma base tecnológica confiável, a empresa facilita auditorias e prepara terreno para futuras certificações, que é um princípio parecido com o de um selo ambiental baseado em blockchain.

Além disso, o projeto tem raiz comunitária, ou seja, as mudas vêm do Programa de Viveiros Comunitários da Kinross, criado em 2017 com 20 famílias da comunidade de Santa Rita. Por ano, esses viveiros produzem cerca de 10 mil mudas nativas do Cerrado, incluindo espécies ameaçadas de extinção. Em resumo, a tecnologia gera não só transparência ambiental, mas também trabalho e renda locais. A expectativa da mineradora, por fim, é transformar o piloto em referência para a digitalização de programas de recuperação de áreas mineradas no Brasil.

Fontes: Portal Marcos SantosBusiness MomentRevista Cenarium