Blockchain no monitoramento da qualidade do ar

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Saber se o ar da cidade está limpo virou questão de saúde pública. Por isso, o Brasil multiplica redes de sensores que medem poluentes como o material particulado (PM2.5 e PM10) em tempo real. No entanto, o desafio raramente é medir, mas sim confiar. Afinal, esses dados embasam alertas à população, restrições de tráfego e licenciamentos ambientais. Ou seja, precisam resistir a adulterações e circular com facilidade entre instituições. É aí que entra o monitoramento da qualidade do ar com blockchain. A tecnologia adiciona uma camada de confiança sobre os dados dos sensores, a mesma lógica da governança de dados climáticos.

O principal exemplo vem de fora. Um ex-físico do CERN fundou a PlanetWatch, startup europeia que o próprio CERN reconhece como spin-off. A empresa foi pioneira ao montar uma rede descentralizada de qualidade do ar na blockchain Algorand. O modelo é simples, os cidadãos instalam sensores, registram as medições em rede e ganham o token PLANETS como recompensa. No entanto, o caminho teve percalços. O projeto enfrentou dificuldades de sustentação e a Bitfinex deslistou o token em 2023. Esse desafio pode ser um alerta sobre modelos que dependem só de recompensa financeira.

O papel da blockchain

Na prática, a rede registra cada medição (ou seu hash) de forma imutável, com data, localização e identificação do sensor. Dessa forma, qualquer pessoa audita a origem do dado, o que reduz disputas sobre sua veracidade. Além disso, contratos inteligentes disparam alertas quando um poluente passa do limite e liberam dados para órgãos autorizados.

O Brasil já tem o terreno para isso. O IPAM mantém 50 sensores na Amazônia, no Cerrado e no Pantanal, em parceria com o instituto americano Woodwell. O Air View+ faz o mesmo em Recife. Ambos monitoram poluentes em tempo real, mas ainda sem a camada de registro distribuído. Aliás, o próprio IPAM ainda busca abrir seus dados. Vale uma ressalva, porém, pois a blockchain preserva o dado registrado. Ela não corrige um sensor mal calibrado nem dispensa a LGPD. Por fim, a tecnologia precisa lidar com o grande volume de dados, já que, em geral, só os hashes vão para a rede.

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Fontes: Algorand/PlanetWatchIPAMPrefeitura do RecifePlanet&Ar