
A economia compartilhada de veículos vem crescendo nas cidades, mas esbarra em alguns pontos. No entanto, o mercado brasileiro começou a apostar na tokenização de frotas, transformando o fluxo de caixa dos veículos em ativos digitais. A frota é capital-intensivo, e financiar carros por vias tradicionais é caro e lento. É nesse ponto que a blockchain entra, não pelo compartilhamento em si, mas pela tokenização de ativos que sustentam a frota ao transformar o fluxo de caixa dos veículos em ativos digitais negociáveis. Vale a ressalva que o carsharing “puro”, registrado on-chain, ainda é mais promessa do que realidade no Brasil, mas o país já tem um caso concreto na fronteira entre mobilidade e finanças tokenizadas.
Em 2023, a CoinLivre, em parceria com a startup LoCar, lançou o token CLCAR, lastreado em uma frota de carros alugados a motoristas de aplicativo (Uber, 99, inDrive). A operação captou R$ 2 milhões numa pré-venda, e quem detém o token recebe a partir de 2% do lucro líquido gerado por aquela frota, de forma automática. O ativo não tem vencimento e prevê a recompra dos carros em dois a três anos, amortizando a depreciação.
O papel da blockchain
O CLCAR usa contratos inteligentes para registrar as regras e distribuir os rendimentos. Cada token dá direito a uma fração da receita da frota, sem intermediários bancários. A LoCar posicionou o ativo como uma ferramenta sustentável para o motorista, o que dialoga com outras frentes, como o registro de emissões de CO2 veiculares em rede. Os veículos rodam a GNV com aditivo de hidrogênio, com economia de 30% a 40% em combustível, invertendo a lógica ao permitir que o próprio trabalhador vire coinvestidor do carro que dirige.
Como todo ativo atrelado a lucros, porém, ele se aproxima de um valor mobiliário e exige atenção regulatória; o retorno também depende inteiramente da saúde operacional da frota. Ou seja, a rastreabilidade da tecnologia não elimina, por si só, o risco da operação.
Leia também os casos do Passaporte Veicular Digital em blockchain, que tokeniza a identidade dos veículos no Paraná, e da mobilidade urbana em Niterói, que integrou blockchain ao transporte municipal.
Fontes: Blog das Locadoras, Tele.Síntese, Jornal Tribuna, Estadão Mobilidade