
O cotidiano de cooperativas no Brasil é atravessado por desafios relacionados a decisões democráticas, objetivos sociais e comuns, além da gestão de equidade entre membros. Sendo assim, muitas cooperativas – de créditos, saúde ou agropecuária – enfrentam uma dúvida cotidiana: onde a confiança pode ser fortalecida? É nesse contexto que muitos desses grupos optam pelo uso de tecnologia blockchain nas operações para garantir auditabilidade, rastreabilidade ou previsibilidade.
Em cooperativas de saúde, a aplicação da tecnologia pode estar no controle de autorizações, no registro de procedimentos ou no compartilhamento seguro de dados sensíveis. Já em cooperativas de trabalho, transporte ou serviços, a blockchain pode apoiar o registro da prestação de serviços, critérios de repasse e distribuição de resultados. Isso contribui para reduzir conflitos, aumentar a previsibilidade e reforçar a confiança entre os cooperados, especialmente em modelos mais distribuídos de atuação.
Em outros casos, como nas cooperativas de consumo ou no setor agropecuário, a tecnologia pode apoiar programas de benefícios, registros de participação e histórico de operações, rastreabilidade da cadeia de produção, criando mecanismos mais transparentes de relacionamento com o cooperado. Na Bahia, por exemplo, a Cooperativa de Jovens de Água Fria passou a usar um aplicativo baseado em tecnologia blockchain para facilitar aquisições, contratos digitais e transações entre membros, com segurança e auditabilidade dos registros.
Criptomoeda
Já em Minas Gerais, a Minasul, cooperativa do agronegócio especializada em cafeicultura, lançou a Coffee Coin, uma criptomoeda cooperativista lastreada na produção de café. Essa iniciativa usa blockchain como base para o ativo digital, que pode ser usado como meio de pagamento ou financiamento entre cooperados.
Vale lembrar que um consórcio de cooperativas financeiras como Sicoob, Sicredi, Ailos, Cresol e Unicred participaram de testes do DREX, moeda digital do Banco Central. O projeto está, atualmente, suspenso, mas abriu o caminho para o desenvolvimento de estruturas tokenizadas privadas e stablecoins.
Fontes: Jornal.Coop, MundoCoop