Blockchain na cadeia do mel orgânico brasileiro

Blockchain na cadeia do mel orgânico brasileiro fortalece rastreabilidade, autenticidade e competitividade internacional.
Imagem: Canva

O Brasil produz mais de 60 mil toneladas de mel por ano, mas menos de 3% conta com certificação de origem verificável. Na prática, grande parte do mel brasileiro, inclusive produtos rotulados como orgânicos, não apresenta rastreabilidade nem comprovação de procedência. No mercado internacional, isso vira um grande problema, pois os consumidores e importadores exigem transparência sobre origem, manejo e processamento. Quando essas informações não são facilmente auditáveis, a credibilidade do produto diminui e a competitividade do mel orgânico brasileiro é diretamente afetada.

A tecnologia blockchain oferece uma solução: em vez de registros fragmentados em sistemas privados, cada etapa da cadeia (apiário, colheita, extração, análise laboratorial, envase e distribuição) pode ser registrada em um ledger imutável. Cada lote recebe um identificador único vinculado ao registro do estabelecimento no Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA). Isso impede que um mesmo lote seja reembalado com narrativas distintas sem deixar rastros e permite registrar eventuais misturas entre lotes.

A tecnologia também enfrenta alegações não verificáveis, como “orgânico”, “unifloral” ou “amazônico”. Certificados emitidos por organismos credenciados e laudos laboratoriais podem ser ancorados na blockchain por meio de registros criptográficos, assegurando autenticidade e integridade dos documentos. No caso de mel monofloral, a análise melissopalinológica pode ser vinculada diretamente ao lote correspondente, com identificação de data e responsável técnico.

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Para compradores da União Europeia, submetidos a regras como a Directive 2001/110/EC, a possibilidade de auditoria quase em tempo real reduz disputas comerciais e reforça a conformidade regulatória. Além disso, a rastreabilidade digital amplia a responsabilização: se um lote apresentar resíduos proibidos, é possível identificar rapidamente o apiário de origem e o ponto da falha.

Nesse contexto, a empresa brasileira OPAH IT desenvolveu, em parceria com a Organização das Nações Unidas (ONU) e o MAPA, uma solução baseada em blockchain para rastrear o mel orgânico desde a colheita até o destino final. O projeto, apresentado oficialmente em fevereiro de 2025, consolida um caso concreto de aplicação da blockchain em uma cadeia produtiva tradicional.

O uso de blockchain na cadeia do mel orgânico brasileiro desloca o foco da narrativa do rótulo para a evidência verificável. Origem rastreável, parâmetros laboratoriais consistentes e práticas apícolas responsáveis passam a ser dados auditáveis. Ao escolher com base em rastreabilidade e informação técnica, o mercado fortalece sistemas agroalimentares mais transparentes, competitivos e sustentáveis.

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