Aplicativos autoescritos executados on-chain

Crédito: Imagem feita por IA

A convergência entre inteligência artificial (IA) e blockchain começa a abrir caminho para um novo paradigma de desenvolvimento de aplicações digitais: os chamados “aplicativos autoescritos executados on-chain“.

Essa tendência, por mais que esteja ainda em fase experimental, ganhou atenção do Observatório Nacional de Blockchain pelo seu potencial de ampliar o acesso à criação de tecnologia e redefinir a infraestrutura da web.

Atualmente, o desenvolvimento de aplicações depende de equipes técnicas especializadas, servidores centralizados e camadas complexas de segurança, em uma infraestrutura que exige manutenção constante.

Porém, nos últimos anos, a IA generativa passou a automatizar parte desse processo, auxiliando programadores nas escritas e correções de códigos. Agora, a tecnologia promete ir além e permitir que usuários não técnicos criem, atualizem e operem aplicações completas apenas por meio de instruções em linguagem natural, via chat.

Para isso, algumas redes blockchain vêm sendo apresentadas como ambientes adequados para esse tipo de automação. Aplicações que vivem integralmente on-chain e operam a partir de código residente na própria rede, dispensando servidores tradicionais e reduzindo a complexidade de configuração da infraestrutura.

Além disso, temos as características da blockchain: imutabilidade do código, resiliência e integração nativa com funcionalidades Web3, como identidade digital e tokens.

Quando associada à IA, a proposta ganha força. Em ambientes tradicionais de TI, pequenos erros de código ou configuração porem gerar vulnerabilidade graves, como vazamentos de dados e ataques cibernéticos.

A blockchain, com sua arquitetura restrita, tende a reduzir esse tipo de risco estrutural, tornando mais viável a automação do desenvolvimento por sistemas inteligentes, mesmo que não eliminem falhas lógicas ou decisões inadequadas de design.

Essa iniciativa já está sendo desenvolvida fora do Brasil pela empresa DFINITY, que defende a ideia de “internet de autoescrita” executada em blockchains públicos.

A ideia é que pessoas comuns, empreendedores e organizações possam criar aplicações digitais soberanas com baixo custo, sem depender de grandes plataformas ou equipes técnicas. Sites pessoais, aplicativos comunitários, sistemas de pagamento com stablecoins ou ferramentas internas de gestão são alguns dos exemplos.

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As limitações atuais de aplicativos on-chain

Apesar do potencial, existem grandes limitações atuais, principalmente em relação ao custo. Isso porque rodar tudo on-chain ainda é caro, mais lento e menos flexível do que na web tradicional.

Além disso, a blockchain é sim uma grande aliada, porém não resolve tudo. Ela não elimina erros lógicos, maus modelos de negócio ou decisões ruins de design. Um aplicativo pode ser seguro e imutável e, ainda assim, ser mal feito.

Uma outra limitação está na IA como a conhecemos atualmente, pois ainda são identificados diversos erros e necessidade de intervenção humana.

Um episódio recente ilustra esse tipo de risco: a rede social Moltbook tornou-se viral por permitir a interação automática entre agentes de IA. Porém, a rede sofreu uma falha de segurança que expôs dados sensíveis (como milhões de tokens API, endereços de e-mail e mensagens privadas) por conta de uma configuração incorreta de infraestrutura.

A plataforma foi vibe-coded, ou seja, construída com código automaticamente gerado por IA sem revisão humana adequada. Isso destaca que automação sem estrutura robusta de segurança pode resultar em problemas práticos, comprometendo usuários e sistemas integrados.

O Observatório Nacional de Blockchain observa a tendência dos aplicativos autoescritos executados on-chain como relevante, mesmo que ainda em estágio inicial. Experiências como essas, mesmo que incluam falhas e acertos, permitem compreender como a integração entre IA e redes descentralizadas pode impactar a forma como criamos, controlamos e utilizamos as tecnologias digitais.

O Observatório segue acompanhando os caminhos para a ampliação do uso da blockchain.

Fonte: CoinDesk