
A blockchain aplicada aos registros de voo responde a uma necessidade central da aviação, que depende de dados confiáveis para operar com segurança, eficiência e previsibilidade. Planos de voo, telemetria, autorizações e registros de operação precisam circular entre aeronaves, operadores, órgãos reguladores e sistemas de controle de tráfego aéreo sem risco de adulteração ou perda. Nesse cenário, a tecnologia blockchain se apresenta como uma alternativa promissora para o registro e a proteção de dados de voo.
Com a adoção da blockchain, os sistemas passam a armazenar dados de forma imutável e rastreável, reduzindo a dependência de bancos de dados centralizados e de pontos únicos de falha. Atualizações como mudanças de rota, dados de telemetria ou status da aeronave ficam registradas com data, hora e origem verificável.
No Brasil, iniciativas acadêmicas vinculadas ao Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) investigam o uso da blockchain como base para o gerenciamento descentralizado do tráfego aéreo não tripulado (Unmanned Traffic Management – UTM). Por meio do GT DroneChain, pesquisadores avaliam arquiteturas capazes de registrar planos de voo, autorizações e dados operacionais de drones em redes distribuídas, com validação automática e controle de acesso entre diferentes usuários do espaço aéreo.
No campo regulatório, a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) reconheceu formalmente o potencial da tecnologia ao publicar a Resolução nº 511, em 2019. A norma prevê o uso da blockchain como ferramenta para o armazenamento de informações da aviação civil, com foco na integridade, rastreabilidade e imutabilidade dos dados mantidos pelo órgão regulador. Apesar desse reconhecimento, a adoção prática da tecnologia ainda não se consolidou em sistemas operacionais de larga escala, permanecendo como uma diretriz com potencial de desenvolvimento futuro.
No contexto internacional, a NASA realizou testes de voo com drones para avaliar o uso da blockchain na proteção e no registro de dados de voo. Os resultados indicaram que sistemas baseados nessa tecnologia conseguem transmitir e armazenar informações em tempo real de forma segura, reduzindo riscos de interceptação, manipulação ou perda de dados entre aeronaves e estações em solo.
Os testes da NASA demonstram alternativas às soluções tradicionais de cibersegurança e reforçam o potencial da blockchain para aplicações futuras, como tráfego aéreo autônomo, mobilidade aérea urbana e operações em alta altitude, contribuindo para um ecossistema aeronáutico mais confiável e resiliente.
Fonte: Nasa